Coreia do Sul quer dominar a cultura pop, e este filme é um grande passo

A vingança épica sombria Last Knights é um conto timeworn que, quando você pisca, se parece com o futuro. As estrelas estabelecidas de Hollywood, Clive Owen e Morgan Freeman são parte do filme, segurando espadas e entoando promessas dramáticas da fidelidade e morte. Mas o dinheiro para as filmagens veio da Coreia do Sul – e no mundo do cinema, o dinheiro é sempre o que comanda o enredo.

Na Ásia, a cultura sul-coreana reina suprema. Seus álbuns pop e estilos de maquiagem estão inclusive aparecendo – ilegalmente – nas ruas de Pyongyang (capital da Coreia do Norte). Last Knights é o primeiro grande passo de Seul em direção a fazer filmes para o resto do mundo. É feito em Inglês e filmado na República Checa, e cada quadro é um remix do globo terrestre. O diretor, Kazuaki Kiriya, é japonês. Os produtores são da América. E os atores vêm de toda parte: da Noruega à Nigéria, além de Israel, Irã e Itália. O elenco é tão colorido que os o figurino e equipamentos são quase todos simples, preto dramático, com gosto para capas de couro nos ombros, que bem se parecem com Don Quixote aparecendo em um BDSM de alta costura na Tóquio antiga.

Clive Owen, ao centro, a estrela no filme.
Clive Owen, ao centro, a estrela no filme.

Em Last Knights o passado feudal de uma terra que nunca existiu é parte da cenografia. O jovem imperador (Peyman Moaadi) governa sobre várias aldeias que parecem ser apenas “um passeio de cavalo” de distância. O líder local Bartok (Morgan Freeman) é conhecido por seus guerreiros mortais e superioridade moral. Também é lembrado por seu branco bigode de morsa-dente-de-elefante, mas ninguém na tela tem a coragem de dar uma segunda olhada a sua majestade. Seus combatentes são chamados de Seventh Rank, e cada um deles fez um juramento prometendo coragem, dedicação e boa conduta. O script justifica o seu elenco diversificado (não que ele precise), explicando que essas três qualidades são tão raras que Bartok teve para montar seu time a partir de cada credo, cor e fé.
Os homens de Bartok sempre falam a verdade. Eles são desses goody-goodies que, durante a prática de combate a espada, precisou que o tenente (Cliff Curtis) desencadeasse um ataque “barato” como uma lição sobre o que os soldados menores – não os dele, é claro – podem fazer.

Last Knights é tão mergulhada no código samurai quanto um copo de 400 anos em chá. Mas esse idealismo não funciona mais em um império corrupto. Kiriya está interessado em honra, particularmente, na forma como os “homens de bem” o preservam, quando o ímpio quer os fazer ajoelhar. (Quanto as boas mulheres, infelizmente, o script não está interessado em tudo – as únicas mulheres aqui são as passivas e as filhas, que se revezam sendo empurradas ao perigo, além das senhoras chorando, cujos gemidos compõem a trilha sonora.)

Em uma época onde a maioria dos nossos heróis do cinema pertencem ao divã de um terapeuta, é refrescante assistir a um filme que acredita no poder de bom comportamento. A integridade é a melhor arma do Seventh Rank.

Clive-Owen-last-knights-koreain

No entanto, a coisa mais próxima que oferecem com um sorriso é quando o bad guy Mott agradece um sujeito por presenteá-lo com um espelho de aros de ouro. Apoiando-se em seu reflexo orgulhosamente, como uma rainha da Disney, ele diz: “De todos os presentes que recebi, este é o meu favorito.” Não só os sul-coreanos renovaram o modelo empresarial global da indústria, eles inventaram um novo gênero, o: grim camp (ou “campo sombrio” em tradução livre).

A estréia mundial do filme Last Knights aconteceu este mês (abril). É dirigido por Kazuaki Kiriya, escrito por Michael Konyves e Dove Sussman e distribuído pela Lionsgate.
A data de estréia nos cinemas brasileiros ainda não foi confirmada.

Confira o trailer deste épico futurista sombrio.

 


O artigo original pertence o site da revista LA WEEKLY.
Tradução e adaptação: Revista KoreaIN

Fonte: LA Weekly

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3 comentários sobre “Coreia do Sul quer dominar a cultura pop, e este filme é um grande passo

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